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Me Curar de Mim

Percebo que quando estamos no Caminho de busca espiritual tudo o que precisamos para continuar seguindo em frente chega até nós. Só precisamos estar despertos para enxergar qualquer coisa ou tudo, como instrumentos. Para mim, a vida costuma ser muito generosa, trazendo instrumentos habituais, relativamente fáceis de identificar. Foi o caso desta música. Que, como tudo o mais, chegou na hora certa, trazida por mãos amigas.

Outra percepção que tenho é que parte do Caminho está em reconhecer, aceitar, render-se e transmutar nossas sombras, nossas misérias psíquicas, como diria algum autor que não lembro o nome agora. Encarar um lado que faz parte de nós e não é muito bonito. Que é condenado socialmente, e que muitas vezes também nos autocondena, e que provavelmente é o responsável por nossas máscaras. Olhar para nosso lado obscuro, e descobrir o que fazer com o que se vê, faz parte da construção da nossa integralidade, assim entendo. Sem fazer esse movimento não conseguimos ser inteiros. Neste mundo polar, podemos aprender a vibrar mais alto, reconhecendo nosso lado B, como diz Flaira Ferro na canção Me curar de mim: esvaziando, para encher do que importa.

 

Me curar de mim

Sou a maldade em crise
Tendo que reconhecer
As fraquezas de um lado
Que nem todo mundo vê

Fiz em mim uma faxina e
Encontrei no meu umbigo
O meu próprio inimigo
Que adoece na rotina

Eu quero me curar de mim
Quero me curar de mim
Quero me curar de mim

O ser humano é esquisito
Armadilha de si mesmo
Fala de amor bonito
E aponta o erro alheio

Vim ao mundo em um só corpo
Esse de um metro e sessenta
Devo a ele estar atenta
Não posso mudar o outro

Eu quero me curar de mim

Quero me curar de mim
Quero me curar de mim

Vou pequena e pianinho
Fazer minhas orações
Eu me rendo da vaidade
Que destrói as relações

Pra me encher do que importa
Preciso me esvaziar
Minhas feras encarar
Me reconhecer hipócrita

Sou má, sou mentirosa
Vaidosa e invejosa
Sou mesquinha, grão de areia
Boba e preconceituosa

Sou carente, amostrada
Dou sorrisos, sou corrupta
Malandra, fofoqueira
Moralista, interesseira

E dói, dói, dói me expor assim
dói, dói, dói, despir-se assim.

Mas se eu não tiver coragem
Pra enfrentar os meus defeitos
De que forma, de que jeito,
Eu vou me curar de mim?

Se é que essa cura há de existir
Não sei. Só sei que a busco em mim
Só sei que a busco

Deixo aqui outro link muito interessante para quem gosta de conhecer o contexto das coisas. Nessa palestra no TEDx, Flaira Ferro conta, de forma bem sincera e honesta, suas próprias transformações que deram origem ao nascimento desta canção.

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